Recentemente perguntei ao meu marido o que ele pensa quando ouve a palavra “frágil”. Ele me disse que quando vê uma caixa com o símbolo FRÁGIL, ele logo pensa que há algo de valor dentro dela. A resposta dele me surpreendeu, pois uma das primeiras interpretações que vinham à minha própria mente quanto ao termo “frágil” era de algo fraco, que necessita de ajuda, ou até mesmo inferior. Mas... valioso? Pode ser, mas não necessariamente, eu respondi.
Toda essa conversa começou quando eu estava lendo o livro de 1 Pedro, em especial 3:7, “Do mesmo modo vocês, maridos, sejam sábios no convívio com suas mulheres e tratem-nas com honra, como parte mais frágil e coerdeiras do dom da graça da vida[....]”(NVI). Não foi a primeira vez que li esse versículo, porém, mais uma vez, minha primeira reação foi a mesma. “parte mais frágil? Como assim?”. Mesmo conhecendo o princípio por traz dessa passagem, esse termo mais uma vez soou como uma leve cutucada em meu ego feminino. Aquilo me deixou intrigada. Por que eu ainda tenho essa reação? Ela vem tão naturalmente, sem esforço algum. Por que o termo “frágil” soa negativo e causa em mim uma reação defensiva?
No geral, sabemos que a expressão “sexo frágil” está associada a uma conotação negativa e é considerada símbolo de machismo. É verdade que as mulheres tiveram um passado histórico difícil e há motivos suficientes para que elas se levantem contra qualquer tipo de abuso e opressão. Mas parece-me que há uma certa aversão por parte das mulheres a qualquer coisa que possa sequer ser relacionada à inferioridade, como o termo “frágil”, por exemplo. Mas minha pergunta é, por que é tão difícil reconhecer que possivelmente somos mais fracas, frágeis e talvez necessitemos de ajuda? Por que há essa inquietação em nos enxergar como a parte que se submete? Seria esse papel de fato ruim como sugere nosso ego?
Quando voltei meus olhos para a palavra de Deus tiver que dizer: “Senhor, perdoe minha reação, nem sequer sei ao que Pedro está se referindo nessa passagem e meu coração enganoso já me levou a desviar minha atenção do que é realmente verdadeiro.”
Olhei então para o contexto bíblico. Desde o capítulo anterior, Pedro está falando como submissão é necessária para o bom funcionamento de diferentes instituições. Ele se refere aos governantes, senhores, e depois se volta para o lar, falando às mulheres e depois aos homens. O interessante é que a expressão “parte mais frágil”, é parte do versículo direcionado aos homens (v.7)! Pedro nem sequer está falando diretamente às mulheres, mas como o marido também deve se submeter com ao amor ao papel de cuidar, honra e proteger sua esposa. Pedro não está falando de superioridade. “O tipo de submissão em pauta refere-se ao papel ou a função necessária ao bom funcionamento do lar.” (Comentário NVI) Quando ele se refere à mulher como vaso fraco, talvez ele estive pensando na questão física ou no status social da mulher naquela época, mas não podemos considerar esta uma referência à resistência moral, força de caráter ou capacidade mental. Afinal, em certos aspectos, homens e mulheres são iguais, assim como em igual condição experimentaram a graça salvífica de Deus (1 Pe 3.9) e são um em Cristo (Gl 3.8; Cl 3.18). No final dessa passagem, Pedro ainda fala que independente da condição, todos devem responder a todos com amor (3.9-12), o que mais uma vez demonstra como a Bíblia nunca deu espaço a prejuízos de que classe for.
Se nem Pedro, ou nenhuma outra passagem das Escrituras se refere à mulher de forma negativa, por que iria eu? Percebi então que o problema estava no meu coração. Independente do meu conhecimento sobre o assunto, há uma reação programada em mim baseada no que eu adquiri do “senso comum” à minha volta todos esses anos. O problema é que esse “entendimento”, o qual leva à minha reação, nem sempre ele está alinhado com a palavra de Deus. Essa reflexão mais uma vez me lembrou de como é perigoso confiar no meu próprio coração (Jr 17.9; Pv 3.5) e nos sentimentos e reações que vem tão naturalmente. Seja quando leio as Escrituras ou quando respondo a uma situação, com que lentes tenho interpretado às questões à minha volta, principalmente àquelas voltadas a mim, mulher?
Se frágil é o termo que me descreve, que seja! Quando eu conheço minha identidade em Cristo, eu encontro meu valor e minhas oportunidades. Não há o que temer. O problema estava no meu coração, em como eu fui ensinada a ver as mulheres. E você, como as vê? Com suas próprias lentes ou filtrando suas ideias com os princípios verdadeiros da Palavra?
Nos próximos artigos, gostaria de discutir sobre mais aspectos desse universo. Frágil, porém valioso, e diria até um tanto misterioso. Há tanto que falar sobre nossa fragilidade, papel, necessidades, medos, sonhos. E há muitas diretrizes que podemos explorar nas Escrituras! Esse é o propósito desta coluna. Discutir assuntos que interessam a nós e que possam guiar e desafiar-nos como cristãs. Você é mais que bem vindo para nos acompanhar nessa caminha!
______________________________________
Perguntas para a discussão:
- Por que o termo frágil causa certa inquietação nas mulheres em geral?
- Qual deve ser nossa reação como mulheres, e cristãs, quando nos deparamos com situações em que a mulher é realmente tratada ou considerada o “sexo frágil” em sua conotação negativa?
- Por que é necessário sempre avaliar nossa primeira reação e sentimentos quanto a certo assunto ou situação?
- Quais assuntos relacionados ao universo feminino vocês gostariam que fossem discutidos aqui no blog?
Aline Dolan
Aline Dolan é esposa de Nate Dolan e mora em Illinois, Estados Unidos, onde trabalham com o ministério de adolescentes e grupos de estudo bíblico na First Baptist Church of Pekin. Formada em Educação Cristã pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida e Bacharel em Teologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Aline Dolan
Aline Dolan é esposa de Nate Dolan e mora em Illinois, Estados Unidos, onde trabalham com o ministério de adolescentes e grupos de estudo bíblico na First Baptist Church of Pekin. Formada em Educação Cristã pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida e Bacharel em Teologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

